Bento-gonçalvense viajou de moto aos extremos do país

Apesar da atualização do extremo norte do Brasil para Monte Caburaí, em Roraima, o bento-gonçalvense Eduardo Torezan, de 29 anos, tem orgulho de afirmar que foi “do Oiapoque ao Chuí” nas últimas semanas. Morador do interior da cidade de Bento Gonçalves, na Linha Demari do distrito de Tuiuty, ele se aventurou nos quatros cantos do país durante 32 dias de viagem de motocicleta.

O vendedor foi o primeiro morador da cidade a realizar o trajeto em uma única viagem. Arquivo pessoal / Divulgação

A ideia da aventura, que foi colocada em prática no dia 10 de dezembro de 2020, teve início há 15 anos. Torezan explica que o desejo foi despertado por meio das histórias contadas pelo seu tio Cleimar Antônio Torezan, o Kichute, que é caminhoneiro e ficou atolado com o veículo por dias no Norte do país.

— Ele me contava que tinha as estradas de chão. Comecei a pesquisar e achar a (Estrada) Transpantaneira, Rodovia Fantasma (BR-319), (Rodovia) Transamazônica e aí começou o gostinho. Era para ter feito e não deu, mas nunca desacreditei e acabei indo. Uma também é que as estradas estavam trancadas, porque sempre viajei para a Bolívia, Chile, Argentina e Uruguai. Peguei e fui, penso que temos que conhecer o Brasil antes de conhecer fora — conta Torezan.

Ao longo dos 32 dias, Torezan conseguiu visitar os quatros extremos do país e 24 estados brasileiros. O plano inicial era de que o vendedor iria acompanhado do amigo Cristiano Ferro, o que acabou não se concretizando. A sua companheira de viagem foi a Terezinha, nome que batizou a motocicleta Yamaha Tenere 250. Ao todo, foram gastos 615 litros de gasolina, com R$ 7,2 mil em despesas.

— Eu tenho cinco motos e para todas elas eu dei um nome. É um jeito carinhoso. A gente dá nome para cachorro, gato, e a motinha tem que ter um nome carinhoso, porque ela é merecedora. Também tenho a DT 200 que é a Judite, a Clementina é a DT 180, a (Honda) Transalp que é a Jovelina. Só a GS 800 que não tem nome ainda — comenta Torezan, sobre a ação inusitada.

Para Eduardo, um dos momentos mais marcantes da sua aventura pelo Brasil foi quando percebeu a desigualdade social vivenciada por muitas famílias. Às vésperas do Natal, durante um dos sete dias que percorreu de navio, ele presenciou uma cena que o emocionou muito.

— Descendo o rio Madeira, vi uma senhora repartindo uma marmita com os quatro filhos. Ela pediu pratinhos plásticos, pensei que ia comer um bolo. Capaz! Comer uma marmita já não é tão bom, imagina repartir com seus filhos uma marmita em quatro. Eu e um rapaz descemos lá no restaurante e entreguei uma marmita para ela. Voltei com outro pensamento depois disso. Não reclamo de mais nada na vida — relata.

Outro momento marcante foi quando ele retornou para casa, no dia 10 de janeiro. Torezan encontrou a pequena Manuella, de quatro anos, com muita saudade.

Torezan quando encontrou a filha depois de 32 dias viajando pelo país.

— Sem dúvidas, ficar longe da minha filha foi a maior dificuldade. Eu estava louco de saudade dela — conta.

Aprovada a experiência, Torezan já está planejando novas rotas sobre duas rodas para o final de fevereiro deste ano e outra para 2022.

— Sou fissurado por mapas. Mês que vem, vou contornar os quatro extremos do Rio Grande do Sul e conhecer todas as belezas. No ano que vem, estou com a ideia de contornar toda a América do Sul — projeta o vendedor.

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