Opinião: Lula no “Cantinho do Pensamento”

“Lula terá muito tempo para repensar sua vida, principalmente nos equívocos cometidos como lobista de empreiteiras”

Ao decretar a prisão do ex-presidente Lula, na quinta-feira (5/4), o juiz Sérgio Moro determinou que “em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Superintendência da Polícia Federal para o início do cumprimento da pena”.

Não sei porque, mas, imediatamente, associei o local destinado ao ex-presidente, como “cantinho do pensamento”, no qual a criança é colocada sempre que faz uma arte. Muito comum e divulgada mundo afora a teoria da famosa Super Nanny, na qual a criança é colocada no “cantinho do pensar” sempre que fizer algo uma arte. Segundo ela, com esses minutinhos “fora de circulação” a criança entenderá que fez algo errado e irá parar para pensar antes de fazer de novo.

O modelo apregoado é polêmico e até contestado, porém, se não é eficiente, mal também não faz. Além dessa teoria, também foi aprovada, como remédio, a “Lei da Palmada”, (Lei nº 13.010, de 26 de junho de 2014), também conhecida como “Lei Menino Bernardo”), que proíbe aos pais ou responsáveis, de apelar para a ignorância quando os seus rebentos fazem e acontecem dentro de casa.

Essa lei que veda castigos corporais aos baixinhos, apesar da justa homenagem ao menino cruelmente assassinado em Três Passos, ficou, contudo, mais conhecida como “Lei da Palmada”, não desmerecendo nenhum pouco a homenagem prestada ao gauchinho daquela cidade.

O “cantinho do pensamento” ou Sala de Estado-Maior, como queiram, destinado ao Lula, embora esse não seja mais criança e nem deve ser tratado como tal, servirá ao ex-presidente para repensar sua vida, repensar seus atos, repensar suas ações, certas e/ou erradas e as causas que o levaram a prisão.

Em dezembro de 2010, no final do seu governo, uma pesquisa do Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ao último mês do seu mandato com recorde de aprovação e popularidade de 87%. A aprovação do governo federal, com 80%, também chegou a patamares nunca antes registrados, segundo aquele instituto de pesquisas.

O estudo revelou a imagem do governo, do presidente da República, e trouxe também a percepção da população sobre temas importantes como desemprego e medidas com impacto direto na economia. Pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao último mês do mandato com recorde de aprovação e popularidade de 87%.

A aprovação do governo federal, com 80%, também chega a patamares nunca antes registrados, segundo o Ibope. A pesquisa encomendada pela CNI avalia trimestralmente a popularidade e o desempenho administração federal junto à opinião pública. O estudo revela a imagem do governo, do presidente da República, e traz também a percepção da população sobre temas importantes como desemprego e medidas com impacto direto na economia.

Regiões

O Nordeste é a região com melhor avaliação do governo federal: 86% dos nordestinos entrevistados disseram considerar o governo de Lula “bom ou ótimo”. Em seguida vêm as regiões norte e Centro-Oeste (81%), Sudeste (78%) e Sul (75%).

Já a avaliação pessoal de Lula no Nordeste é de 95%, no Norte e Centro-Oeste (90%), Sudeste (85%) e Sul (80%). No último levantamento, registrado em outubro, a avaliação pessoal do presidente era de 92%, no Nordeste, 88% no Norte e Centro-Oeste, 81% no Sudeste, e 78% no Sul.

Confiança em Lula

A confiança no presidente Lula retorna ao patamar recorde de 81%, após ter recuado para 76% na pesquisa anterior. O percentual dos entrevistados que disseram não confiar em Lula caiu de 19% para 14% no levantamento atual, atingindo o menor patamar em oito anos.

Áreas

A pesquisa Ibope também mede a aprovação das políticas adotadas pelo governo em nove áreas. A atuação do governo na educação melhorou na opinião dos entrevistados, subindo de 50% para 57% dos entrevistados. A desaprovação caiu de 45% para 38%. Na área da saúde, os entrevistados demonstraram a maior insatisfação com o governo. 54% reprovaram as ações governamentais na área e 42% aprovaram. A política de impostos do Planalto também foi mal avaliada: 51% de reprovação contra 39% de aprovação.

Levantamento anterior

A última edição do levantamento, divulgada em 1º de outubro de 2010, 77% dos entrevistados consideravam o governo “ótimo” ou “bom”, contra 4% de “ruim” ou “péssimo”. A aprovação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva era de 85%, recorde na sequência histórica do levantamento.

Como pôde o ex-presidente Lula jogar fora todo esse patrimônio político, em troca de alguns bens materiais, quando tinha tudo para voltar por cima nas eleições seguintes? Lula, com o seu prestígio, elegeu a ex-presidente Dilma, sem esta sequer ter participado alguma vez de qualquer eleição. A mesma coisa aconteceu com o Fernando Haddad, ex-prefeito da cidade de São Paulo.

Como pôde o ex-presidente perder tanto prestígio como de fato perdeu, embora pesquisas recentes o apontavam como favorito (38%) nas próximas eleições? Será que Lula foi um holograma de si mesmo, uma representação visual do que existe ou pode vir a existir; uma imagem virtual ativa exposta em lugar diferente de onde está o objeto real?

Lula, maior crítico das elites, culpadas de tudo o que era ruim para o Brasil e o seu povo. Porém, a convivência que teve com essas “elites” o degradou de tal maneira, que o deixou pior que os similares, levando-o para o “cantinho do pensamento”.

O cara

Para quem já foi “o cara” (Barak Obama), Lula, na gaiola, virou um Fênix, pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, renascias das próprias cinzas. No “cantinho do pensamento” Lula terá muito tempo para repensar sua vida, principalmente nos equívocos cometidos como lobista de empreiteiras. Contudo, se pensar diferentemente, que não passa de uma vítima, ao contrário da Fênix, ficará cremado para sempre e nunca mais renascerá das próprias cinzas.

Fim melancólico para um ex-presidente que chegou a patamares nunca antes registrados em nossa história, com recorde de aprovação e popularidade sem precedentes.

 

Advogado Alceu Medeiros

OAB/RS 27011

Foto: Heuler Andrey/AFP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *