Divulgação do relatório da CPI das Fakes News é marcada por pedido de suspensão e presença da BM

CPI concluiu que Moacir Camerini exigia que seus ex-funcionários utilizassem perfis falsos para a propagação de Fake News

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou, durante 140 dias, a possível utilização da Câmara de Bento para a disseminação de notícias falsas por parte do vereador Moacir Camerini, divulgou na tarde desta quinta-feira, dia 3, um relatório com as conclusões. De acordo com o documento, ficou comprovado que Camerini exigia que seus ex-funcionários utilizassem perfis falsos na internet para a propagação de Fake News. “Restou provado também que em algumas ocasiões o próprio Vereador Investigado Moacir Antônio Camerini disseminava nas redes sociais memes e conteúdos inverídicos/fakenews a fim de denegrir a imagem de autoridades locais e demais Parlamentares, espalhando desinformação”, diz o documento.

Durante a divulgação do relatório, entretanto, uma ordem judicial foi entregue à Câmara para que fossem paralisados os trabalhos da CPI. “Ingressamos com um mandado de segurança apontando diversas irregularidades técnicas (na CPI), dentro delas o próprio descumprimento do regimento da câmara. A Juíza da Primeira Vara determinou a suspensão dos trabalhos até que se fosse feita uma análise mais aprofundada”, explicou o advogado de Camerini, Vinicius Boniatti.

Mesmo com o pedido de suspensão, a Comissão deu continuidade à divulgação do relatório à imprensa, o que fez com que o vereador Camerini chamasse a Brigada Militar. Após alguns vereadores explicarem a situação, os policiais foram embora. De acordo com o setor jurídico da casa, a CPI encerrou seus trabalhos na quarta-feira, dia 2, e a suspensão chegou hoje à tarde, fazendo com o que o pedido não pudesse ser procedido. Ainda segundo o judiciário da Casa e os próprios vereadores, todos os passos da investigação foram realizados conforme previsto na Lei Orgânica do município.

Sobre as conclusões

De acordo com o vereador Anderson Zanella (PSD), membro da comissão, o vereador Moacir Camerini utilizou mais de 80 vezes o IP da Câmara de Vereadores para acessar a um dos perfis falsos que foi investigado pela CPI. “Isso ocorre a mais de um ano”, complementou.

O parlamentar também se manifestou afirmando que não houve perseguição ao investigado, e sim um trabalho sério de investigação. “Foi a primeira Comissão Parlamentar de Inquérito do Brasil sobre esse tema, nas Câmaras municipais”.

O relatório foi encaminhado ainda na quarta-feira, dia 2, ao Ministério Público, à Mesa Diretora da Casa e ao Poder Executivo. “Os encaminhamentos foram feitos e os próximos passos não dependem de nós. Essa comissão encerrou no dia 2 de outubro suas atividades”, frisou Zanella. Cabe, agora, ao MP decidir o futuro do vereador Moacir Camerini.

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