Bento teve mais de 500 casos de mordidas e arranhões de cães e gatos em 2019

Levando em consideração os últimos 20 anos, a média é de 430 casos anualmente

Após o alerta sobre o aumento de acidentes envolvendo animais peçonhentos em Bento Gonçalves, o setor de Vigilância Epidemiológica oferece recomendações acerca do segundo fator de maior notificação no município: mordidas e arranhões de cães e gatos. Dados parciais de 2019 apontam o registro de 563 acidentes envolvendo esses animais. De acordo com o setor, a média nos últimos 20 anos é de 430 casos/ano. A preocupação sobre esse assunto diz respeito à doença da raiva, que pode ser transmitida ao homem pela saliva dos animais infectados.  Essa doença possui duas variantes, a canina e a do morcego.

Mesmo o Rio Grande do Sul estando livre da variante canina, a recomendação é que os animais continuem sendo vacinados e as pessoas fiquem atentas às orientações. Essas foram modificadas em 2017, por meio de uma normatização do Ministério da Saúde. Desde então, todos os cães e gatos, inclusive aqueles de rua, passaram a ser observáveis. Ou seja, após a ocorrência de uma mordida ou de uma arranhadura, o animal pode ser acompanhado durante dez dias. Se ele permanecer vivo e saudável, significa que ele não possuía o vírus da raiva. “Antes, se a pessoa procurasse atendimento médico e falasse que o animal era de rua, o profissional já encaminhava para receber vacinas. Agora a vacina somente é liberada em circunstâncias bem específicas”, explica a enfermeira Letícia Biasus.

A mudança vai ao encontro de estudos que identificaram o verdadeiro período de incubação do vírus, comprovando que o animal contagiado apresentará sintomas até dez dias após esse período. Outro fato que torna os cães e gatos observáveis, segundo a enfermeira, é o mais recente fenômeno dos chamados “cães comunitários”, que mesmo vivendo na rua possuem famílias que zelam pela sua segurança e alimentação – facilitando seu acompanhamento em caso de acidentes. “O animal adoecendo, morrendo ou desaparecendo nesse período, a pessoa deve retornar ao atendimento para, aí sim, iniciar o esquema vacinal completo”.

Caso o animal venha a óbito, a recomendação é contatar a vigilância sanitária e não enterrá-los. “O animal deve ser mantido em local ventilado até a chegada da vigilância. Então nossa veterinária o recolhe e levamos para análise de raiva em Eldorado do Sul”, explica.

O que fazer após uma mordida?

De acordo com a enfermeira Letícia, o primeiro passo é lavar o ferimento com água e sabão. “O sabão faz uma importante limpeza e pode provocar a inativação do vírus”, informa. Os ferimentos mais graves, segundo Letícia, são nas mãos, nos pés e na cabeça.

Mesmo com a orientação de observar o animal durante dez dias, o indicado é que a pessoa procure uma unidade de saúde para avaliar o ferimento. Caso seja comprovado que o animal possui o vírus da raiva, é feito o esquema vacinal e, dependendo da gravidade, é aplicado o soro antirrábico.

Além disso, a enfermeira reforça a importância de manter os animais vacinados, o que proporciona um menor risco da introdução do vírus tanto pela variante canina, quanto pela variante do Morcego. “Não significa que ele não vai ter raiva, porque animais vacinados podem ter sim, mas isso reduz muito os riscos”, finaliza.

Para mais informações, contate os fones 3055-7265 (vigilância ambiental) ou 3055-7287 (Vigilância Epidemiológica).

Foto: Reprodução